Dedo de Deus
História da Conquista do Dedo de Deus,
não apenas pelo fascínio que ele exerce nos montanhistas, mas, principalmente, pela forma como foi conquistado, o Dedo de Deus é o símbolo do montanhismo no Brasil e a data de sua conquista marca o nascimento deste esporte no país.
Retirado do livro "História do Montanhismo no Rio de Janeiro".
A Conquista do Dedo de Deus
Não apenas pelo fascínio que ele exerce nos montanhistas, mas, principalmente, pela forma como foi conquistado, o Dedo de Deus é o símbolo do montanhismo no Brasil e a data de sua conquista marca o nascimento deste esporte no país.
No final do século XIX, fotos e desenhos da "montanha impossível de ser subida" já corriam a Europa, em revistas e jornais, e traziam alpinistas ao Brasil para tentar conquistá-la. No início do século XX, os europeus tentaram novamente subir a montanha e fracassaram. Acostumados a paredões de gelo ou fendas, eles encontravam dificuldades intransponíveis em paredões de granito liso.
Raul Carneiro, caçador teresopolitano que se orgulhava de ter matado a última onça das matas do Soberbo, fora contratado por um grupo de escaladores alemães. Raul era um profundo conhecedor das matas que circundavam o Dedo. Após três dias de tentativas, os alemães desistiram, afirmando que aquela montanha era impossível de ser escalada.
Essa estória chegou até José Teixeira Guimarães, ferreiro pernambucano que havia se estabelecido na cidade para a construção do viaduto do Garrafão da Estrada de Ferro Teresópolis. A presunçosa afirmação dos alemães de que, se eles não haviam conseguido, ninguém conseguiria conquistar o Dedo de Deus, mexeu com os brios e o patriotismo de Raul e de Teixeira. Fizeram coro aos dois os irmãos Alexandre, Américo e Acácio de Oliveira. Estes cinco homens se uniram e decidiram se lançar à conquista. Houve algumas reuniões entre eles antes que partissem para a montanha. A notícia da escalada não tardou a correr pela cidade. Muitos comerciantes os ajudaram, fornecendo cobertores e comida para que eles levassem consigo. Eles levaram também brocas, cordas, martelos e vinte grampos de arganel, que foram confeccionados pelo próprio Teixeira. Alguns destes grampos encontram-se grimpados nas paredes do Dedo até hoje.
O primeiro dia da empreitada foi consumido pela caminhada. No segundo dia, em virtude da chuva que caía, nada pode ser feito. A escalada em si começou apenas no terceiro dia. Para vencerem o primeiro paredão, hoje conhecido como Paredão Villela , os escaladores fixaram dois grampos e amarraram um tronco a eles. No segundo paredão, eles fizeram uma pirâmide humana e conseguiram chegar à base da chamada Chaminé Horizontal. Graças a quatro grampos colocados por eles, passaram com muita dificuldade por esta chaminé, conseguindo chegar à passagem hoje conhecida como Passagem Leser. Novamente, usaram um tronco amarrado a três grampos, vencendo esta passagem. O árduo trabalho daqueles cinco homens prosseguia, dia a dia, acompanhado por uma fina garoa. Ao cair da tarde, eles sempre desciam até um acampamento improvisado na base do Paredão Villela para retomar, no dia seguinte, o grande desafio que se elevava à sua frente. Suas dificuldades eram muitas. Um deles, Alexandre de Oliveira, quase perdeu a vida em uma passagem dificílima. Alexandre foi seguro à beira de um abismo por seu irmão Acácio e por Teixeira. Os escaladores tinham seus joelhos e mãos ensangüentados e tiveram que improvisar almofadas para protegerem estas partes de seus corpos cansados.
Prosseguindo a escalada, chegaram à Chaminé Arranca-Botões onde colocaram mais três grampos, atingindo, assim, a Chaminé em "V". Nesta chaminé, usaram mais dois grampos para, finalmente, atingir o último platô antes do cume. Colocaram um grampo na base deste platô e outro no paredão à sua frente, a um metro e meio de altura. Mais uma vez, usaram um tronco e o amarraram a estes dois grampos. Os cinco heróis estavam agora muito perto do topo da montanha. Uma pirâmide humana e um último grampo os separavam de seu objetivo final. Alexandre de Oliveira, o mais leve dos cinco, foi o último a subir na pirâmide, e foi ele quem colocou o grampo por onde passariam a corda, que, finalmente, os levaria ao cume do Dedo de Deus. Estes homens escreveram páginas extremamente importantes da história do montanhismo no Brasil. Ao escreverem esta história, cada um de seus movimentos é marcado por coragem, ousadia e criatividade.
Os cinco homens desceram do Dedo de Deus às dez da manhã, deixando em seu topo todo o material que não seria mais necessário. Eles foram recebidos no Soberbo como verdadeiros heróis por grande parte da população local. Até mesmo o então Presidente da República, Marechal Hermes da Fonseca, tomou conhecimento do feito e mandou um telegrama de congratulações. Se as primeiras tentativas não forem consideradas, o empreendimento liderado por Teixeira Guimarães consumiu exatamente sete dias. Uma semana que terminou no dia 9 de abril de 1912 e serviu para consagrar o esforço de um pequeno grupo de idealistas, desejosos de que fosse de brasileiros a conquista de uma de mais belas montanhas do país.
Ps. Existem controvérsias sobre a data exata da conquista. Dia 9 de abril marcou a chegada dos conquistadores de volta da aventura.
Fonte: Lista FEMERJ
Clique nas imagens para ampliar.



